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"Senti um vazio, como se houvesse um espaço desocupado dentro do meu corpo, onde outra versão de mim flutuava no nada da inexistência. Eu não queria muito: não queria fama nem fortuna, nem poder nem sucesso. Queria apenas ser como todos os outros." Alice Jamieson

(Source: mimaior)

(Source: futuro-indeciso)

(Source: m0rtality)

viciada-em-ilusao:

Não dá para odiar as pessoas por serem felizes. Não dá para odiá-las por não entenderem a dor como eu.

Mas eu posso culpa-las. Não todas, algumas.

Viciada em Ilusão.

"Um dia eu me exilo e morro sem ninguém saber. Um dia eu me enforco com os livros que roubei da biblioteca e sangro sem que me percebam. Um dia eu escalo as montanhas do Himalaia, me afogo no rio Volga, me decepo, me tiro a pele e sublimo pelas ruas de uma velha cidade indiana. Um dia eu sumo. E quando eu sumir não terei comigo as pessoas que me bateram nas costas e disseram me acompanhar para onde eu fosse. Não terei aqueles que diziam me amar até as últimas consequências, nem aqueles que me sorriram quando eu contei piadas. Não. As pessoas não segurarão meu calcanhar e pedirão para que eu fique. Não me compreenderão e acharão loucura eu querer morrer. (…) Morrer é uma coisa bonita, e quando se morre por dentro a poesia chora e eu me dou adeus, porque os abraços não me foram dados, as palavras me faltou, e eu cometi suicídio."
by Igor Pires, exílios - essa palavra é bonita demais. (via conotar)
"A coisa negra dentro de mim roía minha autoestima e minha autoconfiança como um rato. Eu sentia que havia uma pessoa feliz dentro de mim, que queria aproveitar a vida, ser normal, mas meus sentimentos de desprezo por mim mesma não permitiria que aquela pessoa cheia de luz saísse. No entanto, a coisa negra estava sempre ali: uma sensação imperturbável de condenação e mau presságio, um sentimento de sofrimento que me consumia completamente, como se fosse um redemoinho me engolfando para um turbilhão onde tudo estava perdido, onde tudo era inútil, onde não havia esperança."
"Eu grito, esperneio, me belisco, choro, quebro o que estiver ao meu alcance, xingo. Faço tudo isso sentada e em silêncio. Ninguém pode me condenar: pareço em paz."
"O que está acontecendo comigo? Qualquer lugar é desconfortável, qualquer companhia é um estorvo. Não sirvo, não presto, não me suporto. Tenho vontade sair correndo e me atirar na frente de qualquer carro. Pegar uma arma e atirar em minha cabeça sem hesitar. O que houve comigo, que não sei mais o que é felicidade? Não suporto a presença de qualquer um. Não sei mais estar acompanhada. Quando ouço alguém falar, imploro silêncio. Sobre morrer ninguém entende. Ninguém se atreve a me matar. Ninguém pode me fazer feliz - muito menos eu. Não aceito a felicidade, não quero belos motivos para continuar. Não aceito mais nada. O que há comigo, que só aceita chorar? Cadê minhas motivações? - se é que um dia eu as tive. Cadê o que nunca me restou e um dia eu cri possuir? Peço novamente: por favor, me mate. Não me obrigue a viver. Sou um pássaro suicida. Não me obrigue a voar, ou vou atirar-me no chão."
"Por que é que você não se compra uma flor? Por que é que você não se abraça? Por que é que você não se leva pra longe na maré do vento? Eu vejo você afogando os murmúrios, dilacerando o coração pelos outros. Por que é que você não se salva?"
"Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
"
"Sou feita de pedaços, pedaços que nunca me tornaram algo completo. Sou composta de solidão e vestígios de perdição. Já fui loucura mas já fui tranquilidade, me transformei em um punhado de contradição. Me tornei insuportável pra mim mesma. Tenho a péssima mania de cutucar a ferida quando ela está a ponto de cicatrizar. Sofro por antecedências e perdôo com atraso. Por poucas vezes deixei meu orgulho ferido, de lado. Desaprendi a lidar com muita gente, me assusto, me apavoro, peço colo, peço silêncio, peço afago. Grande parte deles não me servem pra nada, apenas para acumular espaço ou me perpetuar a escrever sobre eles. Agora me diz, é assim que se começa a partir? O que se faz quando se desaprende a lidar com as pessoas, com o mundo, com os problemas, com o que te impõe? Quando te oprimem, te jogam pra baixo, te largam ao relento. Me diz, é assim que se começa a partir?"
"Eu me lembro dos dias em que eu tinha medo de ser louco; quando eu costumava ter sobressaltos durante o sono, cair de joelhos e rezar para ser poupado da maldição da minha raça; quando eu fugia de uma aparência de felicidade e divertimento para me esconder em algum lugar solitário e passava horas cansativas observando a febre que consumiria meu cérebro aumentar. Eu sabia que a loucura estava misturada com meu próprio sangue e com o tutano dos meus ossos! Que uma geração havia falecido sem que a peste aparecesse entre eles e que eu seria o primeiro na qual ela ressuscitaria. (…)"
by Charles Dickens - Manuscrito de Um Louco.   (via indubio)

(Source: trebienn)

Insanidades

paintitcolor:

O ímpeto escorre vermelho como sangue pelo meu corpo, mas eu o sinto apenas superficialmente. Os fantasmas se foram, minhas unhas quebraram-se de tanto descascar paredes, a tinta azul com que eu pintara o teto do meu quarto desbotou. Restou apenas um muro de velhos tijolos cinzentos que só me permite seguir em frente, sem voltar-me para os lados ou segurar as mãos dos passantes que me observam de longe no caminho ao lado, sem muita atenção.

Por vezes, acabam notando que trago cicatrizes demais no branco dos olhos, ou se surpreendem ao constatar que vomito flores. Mas não as colhem, talvez porque só pareçam belas a mim; talvez porque estejam ocupados demais tentando estancar o próprio sangue ralo. Não importa, porque ando seca e infértil, e eu teria muito trabalho explicando que até as nuvens cansaram-se de mim. Talvez se dilacerar por nada seja loucura, e talvez a loucura não seja um bom sinal. Mas o que me restaria se não me atirasse em abismos? Não peço perdão, não preciso que me compreendam… Apenas é o mais perto que chego da sensação de voar.

Paintitcolor